"Ei moleque!!" Voz de trovão. Acorda o cão espantado. Expulsa as feridas das moscas. "Parado aí moleque!"" Quer ainda escapar.Um par imenso de mão enlaçando a finura do braço. Como é que escapa?
"Onde mora o Chocolate?"
"Sei de nada não, senhor."
"Sabe sim, velho ali deu o bizú."
"Sei de nada não, senhor."
"Cabo, mostra pra ele o maçarico!!" O Cabo retira do portamalas o instrumento que cospe um fogo azulado. O mesmo com que os canas costumam marcar testiculos de ladrão. Foi o Chocolate que disse. Tinha o dele marcado também. O enfiam as pressas na manduquinha. Ele que nunca tinha andado de carro na vida: azedinho de pitomba na ponta da língua.
"Onde mora o Chocolate, moleque?"
O cana no volante tem uma cara de sapo. Grande e larga. Uma cara de sapo. Repara Pitoco. Ele que não é bicho nem nada, não quer sentir o maçarico que cospe fogo azulado queimando os colhões dele, não. Por isso dá com a língua nos dentes.
"Localizamos o meliante! Na final da Bem-te Vi."
Já chegam fazendo alarde. São muitos os olhos que saltam das órbitas das casas. Pitoco apontando com beiço chororo na direção de um casebre torto que a terra engole de lado. É lá que mora o Chocolate...
segunda-feira, 15 de março de 2010
PITOCO - PARTE I

Domingo. A tarde quente arrasta-se claudicante pelas artérias do bairro sujo. Alguém da janela amola os facões e canta as pedras do jogo: Destino de homem é como faca de duas pontas, uma que amacia e a outra que corta.Dia seco. Calor dos infernos. Ranho pastoso escorrendo das narinas do sol. Até Deus faz careta. Lava o rosto e as mãos. O rosto e as mãos.
Pitoco é trastezinho de gente. É quem primeiro ver as manduquinhas chegarem devagar, descendo a Rio Alto. Vem em número de cinco. Conta direitinho nos dedos. Quem ensinou ele a contar foki o Chocolate. Cara legal o Chocolate. Só não entendia bem era porque que ali no bairro ninguém gostava do Chocolate. Só porque era ladrão? E quem não é ladrão ali? Chocolate mesmo não vivia lhe dizendo que ladrão de verdade era o tal de Sucuri, que montou comércio explorando gente? E ladrão que rouba ladrão tem mil amnos de perdão. Quem falou foi o Chocolate. Por isso os pészinhos lépidos e descalços fazendo PLEC PLEC PLEC sobre o asfalto escaldante; vai avisar o amigo do perigo iminente. As casinhas emadeiradas e tristes a vigiar-lhe cismadas as passadas ligeiras. Parecem até que adivinham.
Procura nos becos, vielas, bares e bocas. Conhece de cabo a rabo a quebrada onde vive. Nasceu do bairro mole amigado com o asfalto duro. Cresceu livre nas ruas, no meio da malandragem. De estatura baixa, a pele escura, corpo franzino. O alcunho de Pitoco lhe sentou direitinho. Ligava pra isso não. Fazia aviõezinhos pra moçada e com isso descolava alguns trocados.Assim, ia levando Pitoco a vida.
Ao longe, avista baculejo no bar do Sucuri. A galera do Ratão, todos duros de encontro à parede:
"Onde mora o Chocolate?"
"Ninguém sabe aqui não, chefia."
Bordoadas nas costas da marginália.
"Doutor, - intervém o dono do boteco - a molecada aí não sabe de nada mesmo, não."
"Acobertando, velho?"
"Tô não, doutor! Também não gosto do sujeito. Prejuízo do cão."
Abre um guaranazinho e serve aos homens da lei. O sol vem de cima cozinhando moleira de gente. Se avizinha mais, Sucuri. Boca larga. De maneira que diz: "Só tem uma pessoa aqui que sabe o paradeiro do tal sujeito."
"Quem?"
"Pitoco!Conhece cada buraco desses."
"Pitoco? Pitoco é o nome do meu cachorro, porra!" Ri mais que os outros, o cabo que bate. Limpa o suor da testa. Nos fundos - antes que a morte chegue - um ancião pede outra dose. Olha sem norte. De asas abertas, dois urubus secando ao sol.
"E quede o moleque?"
"Olhe ele ali passando!" Aponta com beiço Sucuri.
continua...
sábado, 6 de março de 2010
CALUNIA E DIFAMAÇÃO
A TODOS VOCES QUE CARINHoSAMENTE VEM ACOMPANHANDO ESSE MEU BLOG,
Sinto-me na obrigação e por reipeito que tenho a todos voces, de esclarecer nesse espaço, as ofensas, difamações e calúnias que venho sofrendo pelo Sr. Diego Moraes. O mesmo acusa-me, dentre muitas coisas, de plagiador; que roubei diversos parágrafos e desfechos de seus escritos durante longos dez anos com a intenção de inscrev~e-los em concursos literários. Considerando isso como calúnia e difamação, tratei de fazer um boletim de ocorrência onde posteriormente moverei um processo contra ele. Já reuni todos os materiais que possuo e ele vai ter que provar em que momento - ao longo desses quase sete anos de amizade, e não dez como ele diz - eu o plagiei. Confesso aos senhores que ainda não sei qual a razão que o levou a fazer tal acusação, pois eu sempre o incentivei na sua carreira literária, tendo ele publicado seus primeiros escritos na Revista Literária Alternativa Sirrose, o qual agora ele critica ferrenhamente, alcunhando-a de uma Revista cu, alegando que os textos que ele nos enviava eram tratados como lixos, o que não é verdade. Outra acusação grave que ele faz, alega que eu ando difamando pela internet a pessoa do Sr. Tenório Telles e Thiago de Mello, quando na verdade é ele que o faz, como vocês poderão comprovar no blog dele assim que fizerem uma incursão por lá (isso se é que ele já não apagou os comentários maldosos que ele escreveu, por se tratar de um covarde).
Diego Moraes também menciona que eu andei espalhando por aí que as resenhas sobre seu livro "Saltos Ornamentais no Escuro", escrita pela estudante de jornalismo Susi Freitas e pelo escritor Tadeu Sarmento, por se tratarem de resenhas que foram tão bem escritas, tivessem sido feitas por jornalistas da folha de Sã Paulo. O que é uma outra calúnia. O que ocorreu foi unicamente o seguinte: Certa noite no Bar Castelinho, Diego abordou-me eu e Marcos Ney ( e Marcos pode servir de testemunha) para nos mostrar uma resenha de seu livro que foi escrita por Luís Rufato , um escritor respeitadissimo e de origem mineira que escreve em uma pagina cultural da Folha de São Paulo. Dias depois, fui encontrar essa mesma resenha em seu blog e ela tinha sido escrita por Tadeu Sarmento e não por Rufato, pois que ele, Tadeu Sarmento,assinava lá embaixo e nada tinha haver com a Folha de São Paulo. Uma mentira descarada desse moleque. A resenha de Susi Freitas acerca do Saltos Ornamentais no Escuro e de meu livro O Homem com a Abertura na Testa,eu fui encontrar no blog da Susi, o qual deixei um comentário agradecendo pela belíssima resenha, e em momento algum afirmei que a tal resenha tivesse sido escrita por outra pessoa.
Peço a todos vocês desculpas por esse constrangimento criado por esse que eu considero um moleque, e cuja amizade e admiração que eu nutria por ele ao longo de seus quase sete anos em que eu o conheço, e não dez como ele afirma, acabou. Diego Morares ganhou um inimigo e decretou sua morte como escritor.
Quero deixar claro a todos voces que não sou e nunca fui um plagiador. Estou nessa atividade literária há muitos anos; quando comecei a escrever, esse garoto ainda não tinha nem nascido. Quem vem acompanhando meu trabalho sabe muito bem disso, que meus escritos são verdadeiros e que nunca precisei imitar ou roubar idéias de quem quer que fosse. Vou provar que tudo que ele afirmou não passa de uma grane mentira, e ele vai ter que se retratar no seu próprio blog onde ele publicou essa calúnia e difamação.
Agradeço pela atenção de todos.
Márcio Santana.
Manaus, 06 de março de 2010
Sinto-me na obrigação e por reipeito que tenho a todos voces, de esclarecer nesse espaço, as ofensas, difamações e calúnias que venho sofrendo pelo Sr. Diego Moraes. O mesmo acusa-me, dentre muitas coisas, de plagiador; que roubei diversos parágrafos e desfechos de seus escritos durante longos dez anos com a intenção de inscrev~e-los em concursos literários. Considerando isso como calúnia e difamação, tratei de fazer um boletim de ocorrência onde posteriormente moverei um processo contra ele. Já reuni todos os materiais que possuo e ele vai ter que provar em que momento - ao longo desses quase sete anos de amizade, e não dez como ele diz - eu o plagiei. Confesso aos senhores que ainda não sei qual a razão que o levou a fazer tal acusação, pois eu sempre o incentivei na sua carreira literária, tendo ele publicado seus primeiros escritos na Revista Literária Alternativa Sirrose, o qual agora ele critica ferrenhamente, alcunhando-a de uma Revista cu, alegando que os textos que ele nos enviava eram tratados como lixos, o que não é verdade. Outra acusação grave que ele faz, alega que eu ando difamando pela internet a pessoa do Sr. Tenório Telles e Thiago de Mello, quando na verdade é ele que o faz, como vocês poderão comprovar no blog dele assim que fizerem uma incursão por lá (isso se é que ele já não apagou os comentários maldosos que ele escreveu, por se tratar de um covarde).
Diego Moraes também menciona que eu andei espalhando por aí que as resenhas sobre seu livro "Saltos Ornamentais no Escuro", escrita pela estudante de jornalismo Susi Freitas e pelo escritor Tadeu Sarmento, por se tratarem de resenhas que foram tão bem escritas, tivessem sido feitas por jornalistas da folha de Sã Paulo. O que é uma outra calúnia. O que ocorreu foi unicamente o seguinte: Certa noite no Bar Castelinho, Diego abordou-me eu e Marcos Ney ( e Marcos pode servir de testemunha) para nos mostrar uma resenha de seu livro que foi escrita por Luís Rufato , um escritor respeitadissimo e de origem mineira que escreve em uma pagina cultural da Folha de São Paulo. Dias depois, fui encontrar essa mesma resenha em seu blog e ela tinha sido escrita por Tadeu Sarmento e não por Rufato, pois que ele, Tadeu Sarmento,assinava lá embaixo e nada tinha haver com a Folha de São Paulo. Uma mentira descarada desse moleque. A resenha de Susi Freitas acerca do Saltos Ornamentais no Escuro e de meu livro O Homem com a Abertura na Testa,eu fui encontrar no blog da Susi, o qual deixei um comentário agradecendo pela belíssima resenha, e em momento algum afirmei que a tal resenha tivesse sido escrita por outra pessoa.
Peço a todos vocês desculpas por esse constrangimento criado por esse que eu considero um moleque, e cuja amizade e admiração que eu nutria por ele ao longo de seus quase sete anos em que eu o conheço, e não dez como ele afirma, acabou. Diego Morares ganhou um inimigo e decretou sua morte como escritor.
Quero deixar claro a todos voces que não sou e nunca fui um plagiador. Estou nessa atividade literária há muitos anos; quando comecei a escrever, esse garoto ainda não tinha nem nascido. Quem vem acompanhando meu trabalho sabe muito bem disso, que meus escritos são verdadeiros e que nunca precisei imitar ou roubar idéias de quem quer que fosse. Vou provar que tudo que ele afirmou não passa de uma grane mentira, e ele vai ter que se retratar no seu próprio blog onde ele publicou essa calúnia e difamação.
Agradeço pela atenção de todos.
Márcio Santana.
Manaus, 06 de março de 2010
sexta-feira, 5 de março de 2010
UM SUPERMERCADO NA CALIFORNIA

Cada pensamento tive com voce, Walt Whitman, enquanto
caminhava pelas calçadas sob as árvores com dor-de-cabeça
consciente de mim olhando a lua cheia
Cansado de fome, fa\zendo shopping de imagens fui até o
neon do supermercado de frutas, sonhando com suas
enumerações!
Que pêssegos, que penumbras! Famílias inteiras indo pro
Shopping de noite! Corredores cheios de maridos! Esposas
nps abacates, bebês nos tomates!
e você, Garcia Lorca, o que fazia no meio das melancias?
Eu vi você Walt Whitman, sem filhos,velho safAdo
solitário fuçando as carnes do refrigerador e paquerando
os garotos da seção de verduras
Peguei voce ali fazendo perguntas pra eles: Quem matou as]
costeletas de porco?
Quanto custa a banana? Você é meu anjo? (...)
A lietatura beat foi o que houve de mais genuino e revolucionário na prosa e na poesia americana, os caras romperam mesmo com Stablishment bonitinho, arquétipo e reacionário de uma sociedade patética e cada cada vez mais patológica, e Allen Ginsberg foi sem duvida o seu maior expoente.
Este poema alusório a Whitman é um dos meus preferidos e faz parte do livro "O UÍVO" cuja edição, publicada em 1955, foi proibido sob acusação de literatura obscena e pornográfica, chegando até lembrar um episódio lamentável que ocorreu com a Revista Sirrose aqui em Manaus, mas enfim, este poema é um dos meus preferidos junto com Kadissh, que é uma outra pérola.
A poeta Ivone criou um espaço dedicado a este poeta, quem quiser visitar o espaço é só acessar pelo meu orkut, ok?
abraços
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
TETÉIA MIGNON

Os olhos injetados de Carlos Mário são dois coágulos de pus e sangue filtrando as fezes da vida na cidade.
Tetéia Mignon vem subindo devagar a pequena Lapa. Carlos Mário chama aquilo ali de pequena Lapa. Já Tetéia Mignon chama aquilo lá de Reto. Tetéia Mignon sim, já esteve na Lapa. Ele não. Nunca saiu do Reto. Ganho de merda. Fodido ele é. Ela sonha agora em ir para Itália antes de completar quarenta e um e secar para sempre os silicones espalhados pelo corpo todo, ou então que Deus o livre, pegar a porra de uma AIDS e aí se foder de vez. Ela ainda sonha. Carlos Mário não. Não sonha mais com porra nenhuma. Tornou-se um vegetal duro e frio. Fincou raiz na cidade morta.
Vem subindo mesmo sem muita pressa Tetéia Mignon. Gazela-transgênica-abatida. Só quando toma bomba, é que seu peso e altura dobram. O dobro de altura de Carlos Mário. Ambos tem a mesma idade. Conheceram-se ali mesmo naquele Reto sujo ou naquele pedacinho de Lapa, como queiram. Uma noite dessas, a boca espocada de porrada. Foi no Hotel Central, bem de esquina. O braçal Aquino descobriu que ela tinha um pau e não a porra de um buraco no meio das pernas e esmurrou-lhe a boca até quebrar-lhe todos os dentes. Não foi por pena ou solidariedade humana que naquele dia Carlos Mário pagou-lhe uma cerveja e deu-lhe cigarros (Sim, e um lenço para estancar a sangria do nariz e da boca, já ia até me esquecendo.)É que havia cansado das putas. E aquele olho vazado de Tetéia Mignon - coberto por um tapa olho escuro - o assustava e o seduzia.
"Foi um mergulhão que me roubou este olho." Disse ela uma vez. Mas Parazinha desmente. Diz que foi briga de facas entre veados na Currutela das Trompas. Parazinha nem com nojo se compara a Tetéia Mignon. Veado podre e feio. Anda sumida do Reto desde a operação que fez.
"Silicone vagabundo e mal aplicado quando desce, aí tem que amputar o caralho do pinto. Bem feito! Língua grande!" Disse uma vez Tetéia Mignon sem remorsos.
"Posso sentar e tomar essa cerveja contigo?"
"Tranquilo."
Senta-se cruzando as pernas. Abana-se com o leque.
"Caralho de lugar! Bando de veados lisos! Vou dá o fora dessa merda. Pegá o beco. Capá o gato. Aqui ó, não me crio não. Nem fodendo!!
Acende um cigarro. Traga e tosse. Trinta e duas vezes.
"Peguei essa tosse escrota aqui nessa merda de cidade. Se eu tiver que morrer de alguma doença escrota, maninho, vai ser em outro lugar, nã nessa miséria." Carlos Mário mira seus olhos na direção de suas coxas, subindo só um pouquinho pra bunda, agora o corpo todo. Linda mesmo, Tetéia Mignon. Quando toma bomba, fica ainda mais gostosa essa boneca; jura que põe qualquer putinha ali do baixo no chinelo. Mas ele hoje está pouco a fim. Ela ainda arrisca:
"Vamos dá uma, bebê? Quando transamos, eu vou ao ceu."
"Hoje não."
"Por que não?"
"Sem tesão."
"Sem tesão?"
"É que soquei umas duas antes de sair de casa."
"Chupo bem chupado esse caralho, quero ver se ele não levanta."
"Não, hoje não."
Os olhos de Carlos Mário miram agora o vazio das ruas. Dali não dá pra ver por causa dos prédios hemorrágicos e dos enormes caixotes empilhados da HAMBURG & SUD, mas o rio subindo daquele jeito chegará ao mesmo nível da angústia humana.
Tetéia se aporrinha de vez:
"Então me dá outro cigarro aí, vai caralho!!
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
FICHA DENÚNCIA

DESCRIÇÃO DOS FATOS
data/hora: 29/10/2003, por volta das 11:00h às 18:00h
ATOS ILÍCITOS: CONSTRANGIMENTO ILEGAL, ABUSO DE AUTORIDADE: Que o DENUNCIANTE MARCOS, no dia citado estava com um grupo de escritores divulgando a publicação da Revista Literária "SIRROSE" para o dia 14/11/03 às 09:00h na praça do Congresso; Que o denunciante estava com o grupo no COLÉGIO BRASILEIRO PEDRO SILVESTRE ás 10:30h da manhã; Que o denunciante junto com o grupo pediu autorização do PORTEIRO da ESCOLA para entrar, o que lhes foi concedido; Que o denunciante se dirigiu à Diretoria da ESCOLA para pedir autorização, porém, o DIRETOR não estava presente; Que foram então à Coordenação, porém, o ORIENTADOR EDUCACIONAL também não estava presente; Que diante disso foram entrando nas salas e pedindo autorização dos próprios PROFESSORES para divulgarem a REVISTA nas salas e os mesmos autorizaram a entrada sem nenhum tipo de impedimento; Que o denunciante e seu grupo conversaram com os ESTUDANTES, pedindo que os mesmos anotassem no caderno a atividade de divulgação, pedindo tambem AJUDA DE R$0,10 a 0,25 para aluguel de um carro de som que seria usado no ato do dia 14/11; Que depois de terem entrado em mais ou menos nove turmas o DIRETOR começou a afirmar que era ele quem mandava na ESCOLA e que o grupo teria que sair imediatamente; Que o grupo se recusou a sair pois se sentiram em uma situação vexatória e quiseram esclarecer que eram ESCRITORES de u a revista de LITERATURA MARGINAL e que o objetivo do grupo efra divulgar tal revista; Que o DIRETOR não quis tomar conhecimento das explicações do grupo e prendeu os mesmo na ESCOLA, mandando que o PORTEIRO TRANCASSE O PORTÃO e acionou a POLÍCIA MILITAR para prender o grupo; Que a POLÍCIA MILITAR chegou no local e levou o grupo ao 1o DISTRITO POLICIAL em duas viaturas; Que o chegarem na DELEGACIA foram alguns PROFESSORES além do DIRETOR e do ORIENTADOR EDUCACIONAL fazer ocorrência contra o grupo de ESCRITORES; Que foram recebidos e foi pedida a identificação, sendo recolhidos os pertences pessoais de cada um; Que foram apreendidos 100 exemplares da REVISTA "SIRROSE"; Que em seguida mandaram que todos tirassem a ROUPA e foram então colocados na CELA; Que ao chegarem na CELA, pediram para ligar para um ADVOGADO, o que lhes foi NEGADO; Que pediram ÁGUA e também lhes foi negado; Que sofreram RACISMO, tendo em vista m dos componentes do grupo ser NEGRO; Que uma MULHER de estatura baixa e cabelo comprido e crespo que trabalha na DELEGACIA falou: "EU VOU TE BOTAR NA CADEIA SEU PRETO!!"; Que uma outra MULHER branca de cabelo louro e alta falou que "A REVISTA NÃO ERA LITERÁRIA, QUE ERA PORNOGRÁFICA E QUE FAZIA APOLOGIA AO ÁLCOOL E AO SEXO, QUE ERA UMA VERGONHA", além de vários outros adjetivos que o denunciante, (emocionado) não recorda inteiramente; Que em seguida trancaram a cela e os denunciantes ficaram no interior sem ter informações sobre o porquê de sua prisão; Que mais tarde foram chamados para depor um por um do grupo, num total de 05 pessoas; Que foi feito um TCO contra o grupo pela acusação de "PERTURBAÇÃO DE TRABALHO, INCITAÇÃO DE TUMULTO E ESCRITA OBSCENA"; Que depois do depoimento foram colocados novamente na CELA; Que chegou uma INVESTIGADORA de estatura baixa, forte, de cabelos castanhos, dizendo que o grupo iria ficar até de manhã na CELA, mas que se eles tivessem DINHEIRO pra dar um GUARANÁ para os policiais eles iriam liberar naquela hora; Que os denunciantes disseram que não possuiam DINHEIRO e por isso permaneceram na CELA até as 18:00h quando disseram que tinham um ADVOGADO chamado "BARRONCAS" e que queriam entrar em contato com o mesmo, sendo que após isso foram imediatamente liberados com os pertences devolvidos, porém as revistas continuaram apreendidas na DELEGACIA, para posteriormente serem QUEIMADAS...
PROVIDENCIAS PRELIMINARES
Que os DENUNCIANTES deixaram a DELEGACIA com fome e abatidos mas cantando, STRABERRIES FIELDS FOREVER...
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
SUICIDAS

FOI HÁ MUITO TEM ATRÁS, quando ainda morava em Porto Velho. Cara Dura, Ezequiel, Fininho, Zé Doido e eu: minha geração perdida dos anos oitenta. Vivíamos sem esperanças, duros e cheios de tédio. Muito álcool, bolinhas, gotanergan, tonopan e optalidon. Havia também um tal de Benflogyn que a malandragem chamava de geléia; um tipo de remédio pra esquizofrênico e mulheres grávidas. Vinha em forma de drágeas ou xarope que misturado com cachaça dava mais lombra e deixava a gente doidão e moles como geleias. Depois vieram baratos mais pesados. O fato é que buscávamos a morte o tempo todo. Masa foi Zé Doido que naquela noite girou a roleta. Uma única bala no tambor de seis buracos como no filme do Franco Atirador que um dia vimos os cinco, chapadões, no Cine Lacerda que ficava no centrão sujo de Porto Velho. "Tem que ter colhão pra arriscar!" Zé Doido nos disse. Olhamos todos sérios pro trabuco sobre a mesa. Uma.45. Quando a mente enfraquece, a morte seduz, e a morte não costuma errar de porta, ainda mais quando se vive dando muita sopa. Naquela noite, cachaça Cocal e Gotanergan na veia que era pra dar mais coragem.
Feito o sorteio, Cara Dura o primeiro. Em seguida Ezequiel, eu o terceiro, Zé Doido o quarto e por último o Fininho. Alguém ali ia se foder. Zé Doido botou a bala no tambor, girou a roleta e deu a arma ao Cara Dura. As mãos dele tremiam pra caralho. Mas ele disparou, na cara dura. Fez um clic-seco-surdo nos ouvidos dele. De todos nós. "Uma porra! Tô fora!" Fininho arregou. Tinha só dezenove, muito novo, mas o excesso de picos na veia e cachaça Tatuzinho deixaram ele com aquela cara de velho. "Cagão do caralho!" Berrou Zé Doido. Foi expulso da roda e do grupo. O tambor girou novamente. Foia vez de Ezequiel e novamente aquele clic-seco-surdo e um sorrisão nervoso naquela sua cara de finado. "Toma! Tua vez!" Peguei o trabuco mas não tive forças de pressionar o gatilho até o fim. Era pesado e ele chegava até o meio e voltava. Uma, duas, três vezes tentei, na quarta Zé Doido tomou-o de minha mão- Dá aqui, sua bicha! - e tremendo apontou para sua cabeça. Disparou. Nada. Só o silencio e aquele cheiro escroto de morte. Girou o tambor sorrindo e devolveu a arma para mim. Era novembro. Não sei se chovia, mas isso não fazia diferença aquela altura. As estações dentro de nós eram sempre as mesmas: cheia e vazante se alternando. Peguei a arma,decidido. Na hora não se pensa em nada, só em uma vontade imensa de mandar tudo pra casa do caralho. Assim o fiz apertando bem os meus olhos e acionando o gatilho. Dessa vez até o fim. Senti a bala atravessando minha cabeça. Tudo explodindo; tudo acabando. Mas para minha decepção ou alívio, o projétil teimava em permanecer ali dentro. Eu continuava vivo, como os demais. Zé Doido pegou da arma outra vez e apontando para o alto, disparou. Aquela bala que seria para o Fininho fez um rombo medonho no telhado de zinco. Ficamos olhando um tempão para o tamanho do buraco que a bala fizera no telhado. Não sei quanto aos outros, mas aquele rombo no telhado de zinco me ajudou a ver o tamanho do buraco que eu havia cavado em meu peito; o quanto não tínhamos mesmo consciencia da morte. Foi quando decidi parar de vez com aquela porralouquice toda.
Hoje, sentado aqui e escrevendo essas linhas no silencio do meu quarto, penso de verdade o quanto a vida é irônica. Depois daquela noite suicida fracassada, cada um de nós tomou um rumo diferente na vida: Ezequiel virou pastor de Igreja. Zé Doido e Cara Dura entraram pro tráfico. Fininho morreu atropelado na rodovia três-um-nove (um mês depois daquele episódio da roleta). Quanto a mim, vim para Manaus e aqui descobri que a pena fazia algum sentido e decidi seguir vivendo. Girando agora uma outra roleta.
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